A Serpente Branca, dos Grimm

A Serpente Branca, – The White Snake, do inglês, e Die weiße Schlange do original – é um conto alemão, escrito pelos Irmãos Grimm, que está incluso como conto número 017 na versão completa de Grimm’s Fairy Tales.

“Há muito, muito tempo, houve um rei famoso em todo o país pela sua sabedoria. Nada ignorava e parecia que as notícias das coisas mais secretas lhe chegavam através do espaço. Esse rei tinha, porém, um hábito esquisito: todos os dias, uma vez terminadas as refeições, e ninguém mais se achando presente, um criado muito fiel devia trazer-lhe ainda uma sopeira coberta. O próprio criado não sabia o que continha, ninguém o sabia, porquanto o rei só a destapava quando estava completamente só.

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Pele de Urso, dos Grimm

Ilustração de R. Anning Bell

Pele de Urso, do original Bearskin, é o conto número 101 dos Irmãos Grimm. Apesar de pouco conhecida, a história tem diversas adaptações, indo da televisão para o teatro (lá embaixo, vai rolar um vídeo do episódio da série From the Brothers Grimm e algumas artes, mas só pra quem ler o conto todo, heim!). Vi algumas ligações com o Pele de Asno (que a gente já postou aqui) e A Bela e a Fera (aqui), mesmo que não sejam suas variações.

E falando em variações, esse conto tem duas (que espero achar e traduzir pra postar aqui!): Don Giovanni de la Fortuna, que está incluído no Pink Fairy Book, do Andrew Lang, e o The Devil’s Breeches, incluído no  Italian Folktales, do Ítalo Calvino. As duas variações tem elementos diferentes, mas continuam com o mesmo foco.

Enfim, bora ler?

“Há muito, muito tempo atrás, havia um jovem que se alistou como soldado, e era sempre o primeiro a avançar quando se tratava de chuvas de balas. Enquanto durou a guerra, tudo lhe correu às mil maravilhas; mas assim que a paz foi assinada, ele foi demitido, e o comandante disse para que ele fosse onde desejasse. Seus pais haviam morrido e, portanto, ele não tinha mais casa. Então voltou para a casa de seus irmãos e pediu para que o aceitassem e que ficasse com eles até a próxima guerra.

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O Sapateiro e Os Elfos, dos Irmãos Grimm

O Sapateiro e Os Elfos é um conto de Natal escrito pelos Irmãos Grimm e não há nada melhor que um conto assim aqui no blog para combinar com o nosso clima natalino de dezembro! Os contos de Natal geralmente apresentam em sua narrativa a dádiva do “fazer o bem” e dos “milagres de Natal”, é o famoso “É melhor dar do que receber” que sempre ouvimos desde criança.

“Era uma vez um sapateiro que era bastante trabalhador e muito honesto, no entanto não conseguia ganhar o suficiente para viver e, finalmente perdeu tudo o que possuía no mundo, com exceção de couro suficiente para fazer um par de sapatos.

Então, o sapateiro cortou o couro, deixando tudo preparado para o dia seguinte, pretendendo levantar-se logo pela manhãzinha e continuar o trabalho. A sua consciência estava clara e o seu coração leve apesar dos problemas; assim, foi pacificamente para a cama, deixando tudo ao cuidados dos Céus, e adormeceu rapidamente. Na manhã seguinte, após ter feito as suas orações, sentou-se e preparou-se para começar o trabalho quando, para grande surpresa sua, ali estavam os sapatos já feiros, em cima da mesa. O bom homem não sabia o que fazer ou pensar perante tão estranho acontecimento. Observou o trabalho feito e, não havia um único erro, tudo era tão puro e verdadeiro… era uma verdadeira obra de arte.

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As Doze Princesas Bailarinas, dos Irmãos Grimm

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Ruth Sanderson

Eu já conhecia esse conto através do filminho Barbie e as Doze Princesas Bailarinas, mas naquela época eu não fazia ideia de que existia um conto do qual o filme foi adaptado. Procurando saber, descobri que o conto é alemão e que foi originalmente publicado pelos Irmãos Grimm em 1812. Também há uma versão russa do Alexander Afanasyev que se chama “O Baile Secreto” (vou tentar achá-la para postar aqui também!).

“Era uma vez um rei que tinha doze filhas. Elas dormiam em doze leitos de um mesmo quarto e, quando iam para a cama, as portas eram fechadas e trancadas. Mas todas as manhãs encontravam seus sapatos completamente gastos como se houvessem dançado a noite toda. Entretanto, ninguém conseguia descobrir como isto acontecia, ou onde elas haviam estado.

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O pescador e sua esposa, dos Grimm

Contos com moral é o que mais tem no mundo, ainda mais quando são dos Grimm ou do Perrault. O da vez é O Pescador e sua esposa, dos irmãos mais famosos no mundo dos contos de fadas. O conto traz uma mensagem bem bacana, do tipo “tu é feliz com o que tu tem, então não reclama”. Enfim, leiam, que cês vão captar a mensagem. (:

“Era uma vez um pobre pescador e sua mulher. Eram pobres, muito pobres. Moravam numa choupana à beira-mar, num lugar solitário. Viviam dos poucos peixes que ele pescava. Poucos porque, de tão pobre que era, ele não possuía um barco: não podia aventurar-se ao mar alto, onde estão os grandes cardumes. Tinha de se contentar com os peixes que apanhava com os anzóis ou com as redes lançadas no raso. Sua choupana, de pau-a-pique era coberta com folhas de palmeira. Quando chovia a água caía dentro da casa e os dois tinham de ficar encolhidos, agachados, num canto.

Não tinham razões para serem felizes. Mas, a despeito de tudo, tinham momentos de felicidade. Era quando começavam a falar sobre os seus sonhos. Algum dia ele teria sorte, teria uma grande pescaria, ou encontraria um tesouro – e então teriam uma casinha branca com janelas azuis, jardim na frente e galinhas no quintal. Eles sabiam que a casinha azul não passava de um sonho. Mas era tão bom sonhar! E assim, sonhando com a impossível casinha azul, eles dormiam felizes, abraçados.

Era um dia comum como todos os outros. O pescador saiu muito cedo com seus anzóis para pescar. O mar estava tranqüilo, muito azul. O céu limpo, a brisa fresca. De cima de uma pedra lançou o seu anzol. Sentiu um tranco forte. Um peixe estava preso no anzol. Lutou. Puxou. Tirou o peixe. Ele tinha escamas de prata com barbatanas de ouro. Foi então que o espanto aconteceu. O peixe falou. “Pescador, eu sou um peixe mágico, anjo dos deuses no mar. Devolva-me ao mar que realizarei o seu maior desejo…” O pescador acreditou. Um peixe que fala deve ser digno de confiança. “Eu e minha mulher temos um sonho,” disse o pescador. “Sonhamos com uma casinha azul, jardim na frente, galinhas no quintal… E mais, roupa nova para minha mulher…”

Ditas estas palavras ele lançou o peixe de novo ao mar e voltou para casa, para ver se o prometido acontecera. De longe, no lugar da choupana antiga, ele viu uma casinha branca com janelas azuis, jardim na frente, e galinhas no quintal e, à frente dela, a sua mulher com um vestido novo – tão linda! Começou a correr e enquanto corria pensava: “Finalmente nosso sonho se realizou! Encontramos a felicidade!”

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O Dinheiro das Estrelas, dos Irmãos Grimm

Tirei esse conto do livro Contos dos Irmãos Grimm, da Dra. Clarissa Pinkola. Li há muito tempo e sempre me encantou a sua moral, então resolvi repassar para quem ainda não teve a chance de ler. Espero que gostem!

Captura de Tela 2014-07-17 às 08.48.43“Era uma vez uma menininha órfã de pai e mãe, tão pobre que não tinha mais um quartinho para morar nem uma cama para dormir e, por fim, só lhe restaram as roupas com que estava vestida e um pedacinho de pão que segurava, que alguma alma caridosa lhe dera. Mas ela era boa e piedosa. E quando se viu assim abandonada por todo mundo, saiu para o campo, confiando no bom Deus. No caminho encontrou um homem pobre que lhe disse:

– Ah, me dê alguma coisa para comer, estou tão faminto! – Na mesma hora ela lhe entregou o pedaço de pão e disse:

– Que Deus abençoe o pão que vai comer. – E seguiu seu caminho.

Então veio um menino que gemia e disse:

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Os desejos ridículos, de Charles Perrault

The Ridiculous Wishes ou The Three Ridiculous Wishes é mais um conto de fadas escrito pelo francês Charles Perrault. Foi publicado em 1697 no livro intitulado Histoires ou contes du temps passé, traduzido literalmente para Histórias ou contos do passado. Como sempre, eu, muito querida, traduzi o conto do original que encontrei por aí (a fonte tá lá embaixo). Aproveitem e reflitam ao final do conto. BESOS!

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