A fada do Natal de Estrasburgo

Essa é uma adaptação de uma história do folclore alemão que foi transformada em conto pelo irlandês Joseph Stirling Coyne no século XIX. Ela conta a história do frio Conde Otto, de sua amada Fada Ernestine e como o amor dos dois originou a primeira Árvore de Natal. Espero que gostem!

“Certa vez, há muito tempo atrás, vivia próximo à cidade anciã de Estrasburgo, no rio Reno, um belo e jovem conde de nome Otto. Conforme foi ficando mais velho, ele se manteve solteiro, e nunca lançava muitos olhares para as belas donzelas do país; por essa razão o povo começou a chamá-lo de ‘Coração de Pedra’.

Foi por acaso que Conde Otto, em uma véspera de Natal, ordenou que uma grande caça acontecesse na floresta que rodeava seu castelo. Ele, seus convidados e seus muitos retentores cavalgaram até lá e a caça foi aos poucos se tornando cada vez mais emocionante. Eles passaram pela mata, e por partes inexploradas da floresta, até que Conde Otto se viu separado de seus companheiros.

Ele cavalgou sozinho até a nascente de um rio claro e borbulhante, conhecido pelo povo como Fonte da Fada. Ali, Conde Otto desmontou. Ele se curvou sobre a fonte para lavar suas mãos e, surpreso, descobriu que apesar do tempo gélido a água era quente e deliciosamente agradável. Ele sentiu um ardor de felicidade passando por suas veias, e, assim que colocou suas mãos mais a fundo, imaginou que sua mão direita fora apertada por outra, suave e pequena, que gentilmente tirou de seu dedo o anel de ouro que ele sempre usara. E, oh!, quando ele tirou suas mãos da água, o anel realmente não estava mais com ele!

Tomado de dúvida sobre esse misterioso ocorrido, o conde montou em seu cavalo e retornou ao seu castelo, resolvendo que no próximo dia, sem falta, teria a Fonte da Fada esvaziada por seus servos.

Ele se retirou para seu quarto, e, atirando-se em sua cama do jeito que estava, tentou dormir; mas a estranheza da aventura o manteve acordado.

De repente, ele ouviu o latido rouco dos cães vigilantes no pátio, e então o rangir da ponte levadiça, apesar de ela já ter sido arriada. Então notou o som do caminhar de muitos pezinhos na pedra da escadaria, e em seguida ouviu leves passos na câmara ao lado da sua.

Conde Otto levantou-se de sua cama, e assim que o fez, ouviu uma música deliciosa, e a porta de seu quarto foi escancarada. Apressando-se para o quarto ao lado, ele se encontrou entre inúmeras fadas, vestidas em túnicas alegres e brilhantes. Elas não o notaram e começaram a dançar, rir e cantar ao som da música misteriosa.

No centro do quarto se erguia uma esplendida Árvore de Natal, a primeira vista naquele país. Em vez de brinquedos e velas, em seus galhos iluminados foram penduradas estrelas de diamante, colares de pérola, braceletes de ouro ornamentados com joias coloridas, penachos de rubis e safiras, cintos ornamentados com pérolas orientais, e punhais de ouro cravejados com as mais raras gemas. Toda a árvore balançava, brilhava e cintilava no esplendor de suas muitas luzes.

Conde Otto ficou sem palavras, contemplando toda aquela maravilha, quando de repente as fadas pararam de dançar e se afastaram para abrir alas para uma senhora de beleza estonteante que vinha vagarosamente na direção dele.

Ela usava em suas tranças negras um diadema dourada ornamentada com joias. Seu cabelo caía por uma túnica de cetim rosado e veludo creme. Ela esticou duas pequenas mãos brancas para o conde e se dirigiu a ele em tom doce e encantador:

‘Querido Conde Otto’, disse, ‘Vim para retornar sua visita de Natal. Sou Ernestine, a Rainha das Fadas. Trouxe-lhe algo que perdeste na Fonte da Fada.’

E assim que falou, tirou de seu bolso uma caixinha dourada, enfeitada com diamantes, e a entregou em suas mãos. Ele a abriu avidamente e encontrou ali dentro seu anel perdido.

Tomado por toda aquela maravilha, e vencido por um impulso irresistível, o conde pressionou a Fada Ernestine contra seu coração, enquanto ela, segurando-o pela mão, arrastou-o pelos mágicos labirintos da dança. As companheiras da fada os rodearam e giraram em volta deles ao som da música que flutuava pelo quarto até que, aos poucos, foram se dissolvendo num misto de cores, deixando o conde e sua linda convidada à sós.

Esquecendo toda sua antiga frieza diante das donzelas do país, o jovem rapaz caiu de joelhos perante a Fada e lhe suplicou que se tornasse sua noiva. Por fim, ela consentiu na condição de que ele nunca deveria dizer a palavra ‘morte’ em sua presença.

No dia seguinte o casamento de Conde Otto e Ernestine, Rainha das Fadas, foi celebrado com grande suntuosidade e magnificência, e os dois viveram felizes por muitos anos.

Porém, um dia o conde e sua esposa decidiram caçar na floresta ao redor do castelo. Os cavalos estavam selados, esperando à porta, a companhia aguardava e o conde andava de um lado para o outro no hall, impaciente, enquanto a Fada Ernestine se tardava em seu aposento. Enfim, ela apareceu à porta do hall, e o conde lhe direcionou toda sua raiva.

‘Você nos deixou esperando por tanto tempo’, exclamou, ‘que seria uma ótima mensageira para se enviar à Morte!’.

Mal terminara de falar tal palavra proibida, a Fada já desvanecera, dando um grito selvagem. Em vão, Conde Otto a procurou na Fonte da Fada, cheio de tristeza e remorso, mas nenhuma pista de sua linda esposa perdida pôde encontrar além da marca de sua delicada mão no arco de pedra sobre o portão do castelo.

Anos se passaram, e a Fada Ernestine não retornou. O conde continuou a sofrer, e em toda véspera de Natal, armava uma árvore iluminada no quarto onde a encontrou pela primeira vez, esperando em vão que ela para ele retornasse.

Tempos mais tarde, o conde morreu. O castelo caiu em ruínas. Mas até hoje pode ser visto acima do grande portão, profundamente marcado no arco de pedra, o contorno de uma pequena e delicada mão.

E essa, diz o bom povo de Estrasburgo, é a origem da Árvore de Natal.”

Nós do FTale desejamos que seu Natal seja tão iluminado e cheia de amor quanto a noite em que Otto e Ernestine se conheceram, e que mesmo que não ganhemos todos os enfeites luxuosos da árvore da fada, tenhamos um Natal muito feliz!

Alícia, Emily, Laís e Mel

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