O Pássaro de Fogo

O Pássaro de Fogo é uma famosa figura do folclore eslavo. Sendo uma ave mágica, de um terra muito distante, ele pode se comunicar com humanos, os orientando, aconselhando ou até mesmo concedendo desejos, mas também pode iludir aquele que ele não considera honrado, sendo então tanto uma bênção quanto uma maldição para aquele que conseguir capturá-lo. É descrito como um pássaro grande, com plumagem majestosa, que flameja como uma fogueira, em cores alaranjadas. As penas, que continuam a flamejar se forem retiradas dele, podem iluminar um grande salão se não for escondida.

Essa ave é bem comum em muitos dos contos de fada russos, assim como a Vasilisa (eu até sei da existência de um conto em que os dois estão presentes… Nota mental: postar!).

Enfim, aproveitem mais um pouquinho do universo dos contos de fadas russos.

“O Rei estava encantado e a Rainha radiante: o Príncipe acabara de nascer. Nas ruas o povo batia palmas, cantava, dançava e bebia à saúde dele. Depois das festividades, um sábio homem da Pérsia foi ver o Rei; estava com pressa porque quando um homem sábio tem uma notícia ruim, não pode guardá-la para si.

– Majestade – disse, humildemente – vim para trazer uma advertência, que me foi confiada numa visão. Vi seu filho crescer e ficar mais belo ano após ano. Mas, no fim do décimo quinto ano, o Pássaro de Fogo, veio buscá-lo e o levou para o Oeste, para que pudesse seguir seu destino, que é de unir-se à Princesa do Amanhecer.

O Rei ficou enfurecido.

– Guardas, prendam este homem, que ousou perturbar a minha paz!

Porém, quando tentaram agarrá-lo, as mãos dos guardas só encontraram o ar e eles trombaram uns com os outros. E o Rei viu uma fina fumaça cinza sair pela janela e desaparecer na luz do sol. Soube então que o sábio tinha falado a verdade e, daquele momento em diante, guardou ansiosamente o jovem Príncipe.

Quando o Príncipe entrou no seu décimo quinto ano, o Rei o prendeu numa torre alta no meio dos jardins do palácio, mas também lhe deu todo o luxo e conforto, porque o amava muito. Uma grande festa foi organizada para seu aniversário, e o Príncipe teria que se contentar em ver as comemorações da sua janela na torre. Ele implorou a permissão de sair, mas o Rei temia tanto perdê-lo que recusou e o deixou trancado a sete chaves.

O Príncipe, ao ouvir os sons da festa, decidiu desobedecer. Ao anoitecer cortou um tapete em tiras e trançou uma corda com a qual desceu pela janela até o jardim. Começou a caminhar, respirando o ar fresco da noite. De repente avistou ao longe uma luz no meio das árvores. Aproximou-se e descobriu uma vasta caverna com um lago cristalino. E neste lago estava a coisa mais bela que o Príncipe jamais vira: numa moldura de cristal, o retrato de uma linda Princesa cujos olhos encontraram os seus. E o desejo de conhecê-la encheu o coração do Príncipe.

Perto do lago, gigante e esplêndido, o Pássaro de Fogo se preparava para voar, esticando o pescoço, batendo as asas; cada pluma lançava raios que iluminavam tudo ao redor. Olhou para o Príncipe como que dizendo: “Não quer voar comigo pelos ares até a Princesa do Amanhecer?” O Príncipe se acomodou nas costas do Pássaro de Fogo que alçou vôo, subindo tão alto no céu que quem olhava para cima pensava ter visto passar um meteoro.

Quando o horizonte se tingiu do rosa, o Pássaro de Fogo pousou nos jardins do palácio de cristal do Amanhecer. E o Príncipe viu a Princesa do retrato dormindo no meio das flores. Aproximou-se e tentou acordá-la, soprando nas suas pálpebras, murmurando no seu ouvido, mas ela nem se mexeu. O Pássaro ficou impaciente, pegou o Príncipe no bico e o colocou nas suas costas. Levou-o de volta à caverna, onde o Príncipe passou o dia, com medo que o descobrissem.

Na noite seguinte, voltou para perto da Princesa e tampouco conseguiu acordá-la. Mas, na terceira noite, a Princesa acordou sozinha e viu o Príncipe sentado ao seu lado. Com seu bico, o Pássaro arrancou uma pena de uma asa, a deixou cair aos seus pés e alçou vôo.

Olharam um para o outro. Ela se sentia como se tivesse sonhado com ele a vida toda, para enfim acordar e encontrá-lo. Ele se sentia como se tivesse alcançado o paraíso. Andaram entre as flores e as árvores e todos os pássaros entenderam e cantaram para eles.

Ao anoitecer, a irmã da Princesa, que era uma bruxa, veio ao jardim e escondeu-se para espiá-los. Cheia de inveja, ela lançou um feitiço que deixou o Príncipe como morto nos braços da Princesa; apavorada e com imensa dor, ela chamou seu nome, mas ele não reagiu. Seus ouvidos estavam surdos, seus olhos fechados, não respondia aos seus beijos. A Princesa entendeu que a bruxa tinha tirado e escondido o coração do Príncipe. Ela sabia entretanto: continuava batendo, cheio de vida e de amor por ela.

Descobriu que a irmã tinha saído do palácio montada no cavalo mais veloz. Como poderia segui-la e obrigá-la a devolver a vida para o Príncipe? Lembrou-se então da pena do Pássaro de Fogo que ela tinha guardado. Com certeza tinha poderes mágicos! A Princesa olhou para a pena, que cintilou e vibrou na sua mão. Desejou que o pássaro a levasse até o coração do Príncipe. Apenas formulado o desejo, ouviu o barulho estrondoso das asas do Pássaro de Fogo que pousou perto dela e a convidou a subir nas suas costas. Ela se aconchegou sobre suas penas macias. Ele alçou vôo e subiu rapidamente bem alto no céu. Deixava um rastro de fogo que iluminava as montanhas e as florestas. Passou pelo sol poente e entrou na Terra da Noite e do Silêncio.

O Pássaro pousou na entrada de uma caverna escura. Arrancou duas penas e as entregou à Princesa. Ela viu que sua luz podia iluminar seu caminho e entrou. Caminhou um pouco e ouviu de longe sua irmã cantando para o coração do Príncipe que tinha escondido num caldeirão. A Princesa correu até o caldeirão e o entornou. Foi tão rápida que a bruxa não pôde impedir e a salmoura do caldeirão respingou no seu rosto. Ela deu um grito horrível e caiu – morta.

Com cuidado, a Princesa pegou o coração de seu amado e o colocou sobre seu peito, pertinho do seu. Então correu até o Pássaro de Fogo que a levou de volta para o Palácio do Amanhecer. Quando abraçou o Príncipe, sentiu seus corações batendo juntos de novo.

O Pássaro alçou vôo mais uma vez, mas tão silenciosamente que não o ouviram. Durante a festa do casamento da Princesa com o Príncipe puderam vê-lo voando alto em largos círculos, sobre o palácio de cristal do Amanhecer.

Reinaram durante longos anos. A cada aniversário de casamento, o Pássaro de Fogo voltava. Eles não o viam, apenas ouviam o bater de suas asas. Sempre trazia como presente uma de suas penas, para que pudessem realizar um desejo seu.” (Fonte)

Laís

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2 comentários sobre “O Pássaro de Fogo

  1. Pingback: O Mito do Pássaro de Fogo - Uma lenda Russa

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