Comadre Morte, de Consiglieri Pedroso

Consiglieri Pedroso (1851 — 1910), foi um político, escritor e professor português. Foi um poliglota, e era conhecedor de múltiplos idiomas, pois gostava de apreciar as literaturas em suas versões originais. Apesar de afirmar-se como filólofo, escritor, publicista e político, ainda assim, pelo resto de sua vida, manteve o fascínio pelo maravilhoso mundo dos contos infantis. Entre as suas obras, encontram-se Tradições Populares PortuguesasEstudos de Mitografia PortuguesaContos de Fadas e Contos Populares Portugueses. Comadre Morte, também conhecido como A Morte que fez um homem rico, é um dos contos coletados por Pedroso em suas andanças atrás dos contos populares de Portugal.

“Havia um homem que tinha tantos filhos que não havia ninguém na freguesia que já não fosse compadre dele. A mulher, que havia engravidado novamente, já estava pronta para parir. Que havia do homem fazer? Foi então andando, a ver se encontrava alguém que convidasse para compadre.

Encontrou um moribundo e perguntou-lhe se queria ser compadre dele.

– Quero. Mas tu sabes quem eu sou?

– Eu sei lá! O que eu quero é alguém para padrinho do meu filho.

– Pois eu sou Deus.

– Já tu não me serve! Porque tu dás a riqueza a uns e a outros, somente a pobreza.

E saiu andando.

Mais adiante, encontrou uma pobre senhora e perguntou-lhe se queria ser comadre dele.

– Quero. Mas sabes tu quem eu sou?

– Não sei.

– Pois eu sou a Morte.

– És tu que me serves, então, porque tratas a todos por igual.

Fez-se o batizado e depois disse a Morte ao homem:

– Já que tu me escolheste para comadre, quero-te fazer rico. Te fazes médico e vais por essas terras curar doentes. Se ao entrares tu vires que eu estou à cabeceira, é sinal de que o doente não se escapa. Se eu estiver aos pés da cama, é porque se escapa. Mas lembra-te: não queira curar aqueles a que eu estiver à cabeceira, senão dou cabo da tua pele.

Assim foi. O homem ia às casas e se via a comadre à cabeceira dos doentes, abanava as orelhas; mas, se ela estava aos pés, receitava o que lhe parecia. Vejam lá se ele não havia de ganhar fama e patacaria, que era uma coisa por maior! Mas vai uma vez foi a casa dum doente muito rico e a Morte estava à cabeceira; abanou as orelhas; disseram-lhe que lhe davam tantos contos de réis se o livrasse da Morte e ele disse:

– Deixa estar que eu te arranjo. Pega o doente e muda-o na cama com a cabeça para onde estavam os pés, que ele escapa.

Quando ia para casa, vê a comadre ao caminho:

– Venho buscar-te por aquela traição que me fizeste. – disse a Morte.

– Ah, comadre, pois então deixa-me rezar um Pai-Nosso antes de morrer.

– Pois reza.

Mas ele, rezar, que nada! Não rezou e a Morte, para não faltar à palavra, foi-se sem ele.

Um dia, enquanto caminhava, o homem encontra a comadre, que estava por morta num caminho. Ele lembrou-se do bem que ela lhe tinha feito, lhe poupando a vida, e disse:

– Minha rica comadrinha, que estás aqui morta! Deixa-me rezar-te um Pai-Nosso por tua alma.

Depois de acabar, a Morte levantou-se e disse:

– Pois já que rezaste o Pai-Nosso, já podes vir comigo.”

Eu dei uma adaptada no conto, por ter algumas palavras diferentes, que talvez não fossem compreendidas.

Enfim, espero que tenham gostado.

E LEMBREM-SE: Não tentem enganar a Morte, porque vocês não estão num filme da franquia Premonição.

PS.: só agora me liguei que esse é um segundo post sobre a Morte. Postado logo após o primeiro. Achei tenso. Ok. Hasta.

Laís

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s