O Sapatinho Dourado, do livro Contos de Fadas Russos

Já faz um tempo que estou querendo postar aqui algo do meu livro Contos de Fadas Russos, mas eu sempre me esquecia dele e acabei levando mais tempo do que deveria. Bom, vou postar um conto que vocês já devem conhecer por outras versões, o nome é O Sapatinho Dourado, mas antes, resolvi transcrever o que tem escrito na aba do livro que serve como uma espécie de apresentação (clique em “continue lendo” para ler o conto):

A literatura de tradição oral foi por séculos a única forma de arte verbal cultivada na Rússia. Nesse período fundou raízes sólidas e profundas na vida cultural russa. É extraordinariamente vasta. Conforme aponta Iuri Sokolov “a primeira coletânea publicada dos contos russos apresentava mais de três mil contos. Ainda há milhares de contos reunidos em outras publicações, e quase outro tanto, se não mais, permanece ainda em manuscritos inéditos”.

 

“Era uma vez um casal de velhos que tinha duas filhas. Certo dia o velho foi à cidade e comprou um peixe para a mais velha e outro para a mais nova. A mais velha comeu seu peixe; a mais nova, porém, foi até o poço e disse:

– Peixinha, o que devo fazer com você?

– Não me coma – respondeu a peixinha. – Em vez disso, ponha-me na água; um dia lhe serei útil.

A jovem jogou a peixinha no poço e voltou para casa.

Bem, a mãe tinha uma grande antipatia pela filha mais nova. Certo dia, vestiu a mais velha com as melhores roupas, aprontou-se para levá-la à missa e deu à mais nova duas medidas de centeio ordenando-lhe que lhes tirasse toda a palha antes que voltassem da igreja.

A jovem foi pegar água; sentou-se à beira do poço e chorou. A peixinha nadou até a superfície e perguntou-lhe:

– Porque está chorando, linda jovem?

– Como não haveria de chorar? – respondeu ela. – Minha mãe vestiu minha irmã com suas melhores roupas e foi com ela à missa, mas me deixou em casa e me mandou tirar a palha de duas medidas de centeio antes de sua volta da igreja.

A peixinha disse:

– Não chore; vista-se e vá à igreja; a palha do centeio será retirada.

A moça vestiu-se e foi à missa. A mãe não a reconheceu. Antes do fim da missa a jovem voltou para casa. Logo depois a mãe também chegou em casa e perguntou:

– E então, sua pateta, você tirou a palha do centeio?

– Tirei – respondeu a filha.

– Que beldade vimos na missa! – continuou a mãe.

– O padre não conseguia cantar nem ler, só olhava para ela o tempo todo – e olhe só para você, sua idiota, veja como está vestida!

– Eu não estava lá, mas sei de tudo – respondeu a moça.

– Como poderia saber? – perguntou-lhe a mãe.

No dia seguinte, a mãe vestiu a filha mais velha com suas melhores roupas, foi com ela à missa e deixou três medidas de cevada para a mais nova dizendo:

– Enquanto eu rezo a Deus, você tira a palha da cevada.

E lá foi ela para a igreja; a filha mais nova foi pegar água no poço. Sentou-se à beira e chorou. A peixinha nadou até a superfície e perguntou:

– Por quê está chorando, linda jovem?

– Como não haveria de chorar? – respondeu ela. Minha mãe vestiu minha irmã com suas melhores roupas e foi com ela à missa, mas me deixou em casa e e mandou tirar a palha de três medidas de cevada antes de sua volta da igreja.

– Não chore. Vista-se e vá à igreja depois dela. A palha da cevada será retirada.

A moça vestiu-se, foi à igreja e começou a rezar a Deus. O padre não conseguia cantar nem ler, só olhava para ela o tempo todo. Naquele dia, o filho do rei estava assistindo à missa; nossa bela jovem agradou-o tremendamente e quis saber de quem ela era filha. Por isso pegou um pouco de piche e jogou embaixo do seu sapatinho dourado. A moça foi para casa, e o sapatinho ficou.

– Vou me casar com a dona desse sapatinho – disse o jovem príncipe.

Logo a velha também veio para casa.

– Que beldade estava lá! – disse ela. – O padre não conseguia cantar nem ler, só olhava para ela o tempo todo – e olhe só para você, que esfarrapada você é!

Enquanto isso, o príncipe estava viajando de um distrito a outro procurando a moça que havia perdido seu sapato, mas não conseguiu encontrar nenhuma em cujo pé ele servisse. Procurou a velha e disse:

– Chame aqui sua filha mais nova. quero ver se o sapato lhe serve.

– Minha filha vai sujar o sapato – respondeu a velha.

Mas a moça veio e o filho do rei experimentou-lhe o sapato: servia. Ele se casou com ela, e viveram felizes para sempre.”

Alícia

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5 comentários sobre “O Sapatinho Dourado, do livro Contos de Fadas Russos

  1. Pingback: A Princesa Rã, do livro Contos de Fadas Russos | Fairytale Land Stories

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