As Três Laranjas Mágicas

Ouvi esse conto quando mais nova, não me lembro bem onde, e ele sempre me encantou. Pesquisando sobre sua história, descobri que tem origem na Costa Rica (ou, pelo menos, é muito popular por lá) e que não há muitas versões dele disponíveis na internet; por isso, tomei a liberdade de escrever minha própria versão, que é a que segue abaixo:


 

“Há muito tempo, o governante de um reino distante começava a se preocupar com seu filho que, por estar sempre ocupado em aventuras, ainda não tinha se casado. A fim de que o príncipe encontrasse uma esposa, o rei decidiu fazer um baile, mas,  mesmo convidando as mais belas, ricas e prendadas nobres conhecidas na época, o rapaz não se interessou por nenhuma. Então, seu pai ordenou a ele que procurasse sua mulher sozinho, e foi o que ele fez: montou em seu cavalo e começou a seguir uma das trilhas da densa e antiga floresta próxima ao reino.

No meio do caminho, o príncipe encontrou uma árvore, de onde pendiam três laranjas douradas. Encantado com sua beleza, ele as colheu, imaginando que poderia comê-las durante o percurso.

Algum tempo depois, ele sentiu sede e, já que não tinha nada para beber, abriu uma das laranjas, de onde saiu uma moça, de cabelos brilhantes como o sol e olhos azuis como o mar.

– Oh, por favor, dê-me água, senão morrerei! – ela implorou, com a voz fraca.

– Perdoa-me, bela donzela! Não tenho água nenhuma aqui.

E assim, a moça ali desvaneceu.

Ainda estupefato com o acontecimento, o príncipe prosseguiu até sentir sede novamente e abriu mais uma laranja, de onde saiu uma jovem tão bonita quanto a primeira; mas essa, por sua vez, tinha cabelos cor de fogo e olhos verdes como duas esmeraldas.

– Dê-me água, rápido, senão morrerei! – ela disse, ansiosa.

– Perdão, senhorita, mas não tenho nenhuma água para lhe oferecer.

E, então,  a donzela foi se tornando apenas um espectro, até desaparecer.

Já a milhas de distância de sua terra, o rapaz parou para se lavar num riacho que encontrou. Por já estar com fome, resolveu abrir a última laranja, e dela saiu uma linda moça, de cabelos negros ondulados e pele branca como jasmim.

-Por favor, bom senhor, dê-me um pouco d’água, senão morrerei! – ela pediu, seus olhos castanhos brilhantes fixos no rapaz.

O príncipe sorriu, encantado pela jovem, e lhe entregou seu odre, que havia enchido no riacho.

A moça ficou muito grata e por horas os dois ali conversaram. Ao anoitecer, o rapaz pediu a sua mão em casamento e ela aceitou. No outro dia, pela manhã, os dois voltaram ao reino, onde se casaram e, mais tarde, subiram ao trono.

Anos depois, a terrível bruxa que, por inveja, havia amaldiçoado aquelas três lindas donzelas, descobriu que seu feitiço tinha sido quebrado. Furiosa, ela resolveu usar grampos mágicos envenenados para se livrar novamente da jovem. Se disfarçou de vendedora e foi aos portões do castelo anunciar seu falso produto.

A nova rainha ouviu o pregão e mandou que entrasse a bruxa, que lhe mostrou um lindo grampo com uma pérola na ponta. A soberana se interessou pelo enfeite e se abaixou para que a mulher pudesse prende-lo em seu cabelo, mas, ao invés disso, ela o espetou com força em sua cabeça, fazendo com que a moça se transformasse  em uma pomba e voasse janela afora.

O rei, que estava caçando na floresta, encontrou a pequena ave e a capturou, acreditando que seria um bom presente para sua amada. Porém, ao chegar no castelo, descobriu que ela havia desaparecido. Ele chorou muito, por muito tempo, e todo seu consolo foi a linda pombinha branca. Um dia, acariciando sua cabeça, sentiu a pérola. Imaginando que  machucava sua amiga, ele retirou o objeto; nesse instante, a rainha tomou o lugar do pássaro e eles se abraçaram, felizes por tudo ter voltado ao normal. Após descobrir a responsável pelas crueldades com sua esposa, o rei mandou que a aprisionassem, mas quando seus homens chegaram à morada da bruxa, nada encontraram senão cinzas e uma nuvem de fumaça que se formava como um humano.”

 

Espero que tenham gostado!

Emily

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2 comentários sobre “As Três Laranjas Mágicas

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