Contos de Fadas em suas versões originais

Hola, muchachos!

Depois de passarmos décadas amaldiçoadas, sem postar nada no FTale, estamos de volta. E o que melhor pra começar novamente com a nossa atividade, do que uma coisa que fala diretamente sobre o assunto central do blog, os contos de fadas originais, bizarros e mirabolantes? Pois é. Resolvi fazer esse post pra ajudar a divulgar um projeto muito especial pra mim, o Contos de Fadas em suas versões originais, criado pela Marina Avila, da Editora Wish.

Esse projeto consiste na publicação de contos de fadas originais (ah vá), organizados pela Marina, em um livro ilustrado, contendo vários contos, de vários autores, todos em suas versões clássicas, e ~sem censura~. Ele está disponível para apoio no Catarse, um site de financiamento coletivo – genial, por sinal. Só pelas imagens divulgadas no site, podemos ver a beleza e o capricho da publicação, o que mostra pra gente todo o cuidado que a equipe de profissionais da Wish tem ao fazer esses livros. Sem falar nos brindes lindos que eles tão oferecendo, né? Tem marcadores de página, ecobags e até posteres de ilustrações do Kay Nielsen! Abaixo, mostro três dos kits, só pra vocês terem um gostinho:

Eu já havia postado um conto do livro aqui no blog, o A Pequena Sereia, do Andersen, porém ainda não tinha o livro e, confesso, nem me liguei que era parte de um (shame *sino batendo*). O post tá aqui, linkando o Scribd da Marina, pra quem quiser dar uma conferida. (O conto Prado Verde, do Giambattista Basile, que já postamos há algum tempo, vai estar presente nessa terceira edição!)

Mesmo que vocês ainda não tenham ouvido falar desse projeto da Wish, corram atrás! Enfim, caso vocês queiram adquirir os livros, e de quebra apoiar essa iniciativa maravilhosa, entrem nesse link. Existem vários pacotes pra vocês quebrarem a cabeça tentando escolher (o financiamento tá chegando perto do fim, então se apressem!). Eu já garanti o meu, e logo logo pretendo resenhar esse último volume, juntamente com os dois primeiros, que adquiri quando apoiei os dois outros projetos, há algum tempo, já.

Eai, bora lá?

Laís

A Serpente Branca, dos Grimm

A Serpente Branca, – The White Snake, do inglês, e Die weiße Schlange do original – é um conto alemão, escrito pelos Irmãos Grimm, que está incluso como conto número 017 na versão completa de Grimm’s Fairy Tales.

“Há muito, muito tempo, houve um rei famoso em todo o país pela sua sabedoria. Nada ignorava e parecia que as notícias das coisas mais secretas lhe chegavam através do espaço. Esse rei tinha, porém, um hábito esquisito: todos os dias, uma vez terminadas as refeições, e ninguém mais se achando presente, um criado muito fiel devia trazer-lhe ainda uma sopeira coberta. O próprio criado não sabia o que continha, ninguém o sabia, porquanto o rei só a destapava quando estava completamente só.

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Pele de Urso, dos Grimm

Ilustração de R. Anning Bell

Pele de Urso, do original Bearskin, é o conto número 101 dos Irmãos Grimm. Apesar de pouco conhecida, a história tem diversas adaptações, indo da televisão para o teatro (lá embaixo, vai rolar um vídeo do episódio da série From the Brothers Grimm e algumas artes, mas só pra quem ler o conto todo, heim!). Vi algumas ligações com o Pele de Asno (que a gente já postou aqui) e A Bela e a Fera (aqui), mesmo que não sejam suas variações.

E falando em variações, esse conto tem duas (que espero achar e traduzir pra postar aqui!): Don Giovanni de la Fortuna, que está incluído no Pink Fairy Book, do Andrew Lang, e o The Devil’s Breeches, incluído no  Italian Folktales, do Ítalo Calvino. As duas variações tem elementos diferentes, mas continuam com o mesmo foco.

Enfim, bora ler?

“Há muito, muito tempo atrás, havia um jovem que se alistou como soldado, e era sempre o primeiro a avançar quando se tratava de chuvas de balas. Enquanto durou a guerra, tudo lhe correu às mil maravilhas; mas assim que a paz foi assinada, ele foi demitido, e o comandante disse para que ele fosse onde desejasse. Seus pais haviam morrido e, portanto, ele não tinha mais casa. Então voltou para a casa de seus irmãos e pediu para que o aceitassem e que ficasse com eles até a próxima guerra.

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As três plumas, dos Grimm

Conto 063 dos Grimm, aparentemente escrito em 1812. E, sim, esse é mais um conto dos irmãos sobre o qual não se tem grandes informações na internet (além do Wikipédia em alemão, que não é de muita ajuda se o tradutor é uma droga…).

Enfim, o conto é uma gracinha, então leiam e amem!

“Era uma vez um rei que tinha três filhos, dois deles eram inteligentes e sábios, mas o terceiro não gostava de falar muito, e era muito simples, e por isso o chamavam de João Bocó. O rei estava ficando velho e fraco, e já achava que ia morrer, e não sabia quais dos seus filhos deveria herdar o reino quando isso acontecesse. Então, ele disse para os seus filhos:

— Saiam, e aquele que me trouxer o tapete mais lindo será o rei quando eu morrer.

E para que não houvesse briga entre eles, ele os conduziu para fora do palácio, soprou três plumas no ar e disse:

— Vocês deverão seguir estas plumas! — Uma pluma voou para o oriente, a outra para o ocidente, mas a terceira subiu para o alto, mas não voou para muito longe e logo caiu no chão.

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Brooke Shaden

Americana formada em Cinema e Inglês pela Universidade Temple, Brooke Shaden teve seu início no mundo da fotografia após se formar, em 2008, criando auto-retratos com o objetivo de treinar o seu controle sobre a imagem. Como é dito em seu site pessoal, Brooke “captura realidades fantásticas dentro de suas molduras”, transformando seus retratos em pura magia e sensibilidade. E, observando seus retratos, não há quem diga que isso não é um fato. 🙂

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A Balada de Mulan

Uns tempos atrás eu estava bobeando por aí, navegando pela internet. Nesse caso específico, procurando imagens do Mulan, da Disney (CARA! Me diz: quem não ama Mulan?). Eis, então, que eu me surpreendo ao descobrir que Mulan é, de fato, uma personagem de um antigo poema chinês, chamado A Balada de Mulan.

O poema, escrito no século VII – período da dinastia Tang – e composto por uma coleção de cantos, conta a história que já conhecemos: uma mulher chinesa que se disfarça de homem para se unir ao exército. Mas, nem por isso, o prazer de lê-lo é menor.

Originalmente, essa coleção de contos se perdeu, e a versão que estamos postando aqui é uma versão posterior, que está inclusa numa antologia de poemas compilados por Guo Maoqian.

“Suspiro após suspiro,
Mulan tece diante de sua porta.

Ninguém pode ouvir o som do tear,
apenas os suspiros da pobre menina.

Pergunte-a quem está em seu coração,
ou quem está em sua mente.

Ninguém está em seu coração,
e ninguém está em sua mente.

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